PESQUISA INÉDITA REGENERA CÉLULAS FOTORRECEPTORAS COM TERAPIA GENÉTICA.

Utilizando uma nova terapia baseada em Células-tronco pluripotente induzida, cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) conseguiram evitar a cegueira em camundongos que tinham DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) do tipo seca em estágio avançado.

Uma das principais causas de perda de visão em pessoas com mais de 65 anos de idade, a DMRI causa a degeneração das células do fundo do olho, como os fotorreceptores, que são células especializadas em captar a luz e transformar nos impulsos elétricos que são decodificados pelo cérebro, formando a visão.

O ensaio clínico foi publicado na revista cientifica Science Translational Medicine e prepara o cenário para um primeiro estudo com humanos com DMRI do tipo seca, que atualmente não possui tratamento.

 

O ESTUDO UTILIZA CÉLULAS TRONCO PLURIPOTENTE INDUZIDA

A terapia é inovadora porque utiliza Célula-tronco pluripotente induzida, que foram recentemente desenvolvidas. Trata-se de células do próprio paciente que são modificadas e transformadas em células tronco, conhecidas como células IPS, que podem se transformar em qualquer tipo de célula do corpo.

Nesse caso, as células são programadas para se tornarem células epiteliais pigmentares da retina, o tipo de célula que morre no início do estágio de atrofia geográfica da degeneração macular.

As células do EPR nutrem os fotorreceptores, as células sensíveis à luz na retina. Na DMRI do tipo seca, quando as células do EPR morrem, os fotorreceptores acabam também morrendo, ocasionando cegueira.

A terapia é uma tentativa de reforçar a saúde dos fotorreceptores remanescentes, substituindo o EPR terminal pelo EPR derivado de células iPSC.

 

Os pesquisadores relatam que as células transplantadas funcionaram adequadamente. A imunocoloração confirmou que o EPR derivado de iPSC expressou o gene RPE65, sugerindo que as células produzidas em laboratório atingiram um estágio crucial de maturidade necessário para manter a saúde dos fotorreceptores.

O gene RPE65 é necessário para a regeneração do pigmento visual dentro dos fotorreceptores e é um componente essencial para a visão.

Além disso, outros testes mostraram sinais positivos sobre aspectos clínicos das células regeneradas.

 

Uma das principais preocupações com qualquer terapia com células-tronco é seu potencial oncogênico: a capacidade das células se multiplicarem descontroladamente e formarem tumores.

Os pesquisadores analisaram geneticamente as células do EPR derivadas de iPSC e não encontraram mutações genéticas ligadas ao crescimento do tumor.

 

O ensaio clínico em humanos só poderá ser realizado após a aprovação do FDA (Food and Drug Administration), órgão que regulamenta medicamentos, equipamentos e pesquisas na área de saúde nos EUA.

Até a terapia ser aplicada em larga escala, existe um longo caminho a ser percorrido. São necessárias muitas pesquisas em várias fases para atestar com segurança os resultados apresentados. Mas, a cada dia a ciência está trazendo novidades surpreendentes para tratamentos de diversas doenças graves, como a DMRI do tipo seca.

A DMRI do tipo exsudativa é uma forma ainda mais rigorosa da doença, mas para esses casos já existe tratamento, que é feito com injeções intravítreas que são capazes de impedir o avanço da doença e também melhorar a visão de muitos pacientes.